Quanto vale a sua marca em franchising? Como calcular o potencial de expansão

Quanto vale a sua marca em franchising? Como calcular o potencial de expansão
Quando um empresário pensa em franchising, a primeira pergunta costuma ser: “Quanto custa criar um franchising?”
É uma pergunta legítima. Mas não é a mais importante. A pergunta certa é: “Qual é o potencial económico da minha marca enquanto rede de franchising?”
Franchisar uma marca não significa simplesmente criar um contrato, definir um direito de entrada e procurar investidores. Significa transformar um negócio que funciona numa oportunidade de investimento replicável, rentável e capaz de crescer através de várias unidades.
E é precisamente aí que muitas decisões são tomadas ao contrário.
O potencial de uma marca não está apenas na faturação. Uma empresa pode faturar €500.000 por ano e ter pouco potencial para franchising. Outra pode faturar €250.000 e apresentar um modelo muito mais interessante para construir uma rede.
Porquê? Porque o que interessa não é apenas quanto a empresa vende hoje. É perceber quanto pode ganhar cada unidade, quanto precisa de investir o franchisado e em quanto tempo consegue recuperar esse investimento.
Por exemplo, um conceito que necessita de €180.000 para abrir uma unidade e que gera um resultado anual de €35.000. Pode ser um bom negócio. Mas será suficientemente atrativo para captar franchisados?
Agora um conceito que necessita de €120.000 de investimento e consegue gerar cerca de €40.000 anuais. O segundo modelo poderá ter uma proposta de franchising muito mais forte, mesmo que a marca original tenha uma faturação inferior.
É a economia da unidade que determina grande parte do potencial de expansão.
Quanto deve investir um franchisado?
Esta é uma das contas mais importantes antes de colocar uma marca no mercado. O investimento inicial deve incluir não apenas obras e equipamentos, mas todos os custos necessários para colocar a unidade a funcionar: instalação, imagem, tecnologia, stock inicial, formação, licenças e outros investimentos específicos do conceito.
Depois é necessário cruzar esse valor com a rentabilidade previsível da unidade.
Um franchisado não compra apenas uma marca. Compra a possibilidade de construir um negócio com uma determinada relação entre investimento, risco, rentabilidade e prazo de recuperação.
Por isso, definir um investimento demasiado elevado pode limitar drasticamente a expansão, e definir um investimento artificialmente baixo, ignorando os custos reais da operação, pode criar problemas ainda maiores.
Quanto deve custar o direito de entrada?
O direito de entrada é outro elemento que deve ser pensado estrategicamente. Não deve ser definido simplesmente porque “é o valor praticado no mercado”.
O franchisado está a pagar pelo acesso a uma marca, mas também ao conceito, know-how, formação, apoio inicial, processos, ferramentas e capacidade de replicação desenvolvida pelo franchisador.
O valor deve, por isso, estar relacionado com aquilo que o franchisador efetivamente entrega.
Existe uma regra essencial: o direito de entrada não pode destruir a atratividade económica do franchising.
Se o investimento total fica demasiado elevado para o retorno esperado, a marca pode até gerar interesse comercial, mas terá dificuldade em transformar esse interesse em contratos.
Valor dos Royalties? Receita para o franchisador, equilíbrio para a rede.
O mesmo raciocínio aplica-se aos royalties. Para o franchisador, representam uma fonte de receita recorrente e ajudam a financiar o acompanhamento da rede. Para o franchisado, representam um custo permanente da operação. O desafio está em encontrar um modelo sustentável para ambos.
Um royalty demasiado elevado pode pressionar a rentabilidade da unidade. Um royalty demasiado baixo pode não permitir ao franchisador assegurar o nível de suporte necessário à rede.
Por isso, não existe uma percentagem universalmente correcta. Existe o modelo que faz sentido para aquela marca, aquele conceito e aquela estrutura de custos.
Quantas unidades pode realmente ter a sua marca?
Aqui está outra questão frequentemente esquecida. Uma marca não tem potencial de franchising porque “há mercado em todo o país”. É necessário perceber quantas unidades podem coexistir de forma saudável.
Isso depende da dimensão do mercado, perfil do consumidor, localização necessária, área de influência de cada unidade, concorrência, poder de compra e possibilidade de expansão territorial.
Também é necessário evitar a canibalização. Abrir demasiadas unidades demasiado próximas pode aumentar a dimensão da rede, mas reduzir a rentabilidade de cada franchisado.
Uma boa estratégia de franchising não procura simplesmente o maior número possível de lojas. Procura construir a maior rede sustentável possível.
O verdadeiro valor está na rede
É aqui que está a diferença entre pensar em franchising como um produto e pensar nele como uma estratégia empresarial.
Uma marca pode ter:
- unidades rentáveis;
- um investimento atractivo;
- um direito de entrada adequado;
- royalties sustentáveis;
- um conceito diferenciador;
- capacidade de replicação;
- e espaço para dezenas ou centenas de unidades.
Nesse caso, o seu potencial não está apenas na empresa que existe hoje. Está na rede que pode ser construída amanhã.
E essa perspectiva muda completamente a forma como o empresário deve olhar para o franchising.
Em vez de perguntar apenas quanto custa preparar documentação, desenvolver manuais ou lançar uma campanha de captação, deve começar por perceber se existe uma oportunidade económica suficientemente forte para justificar a criação da rede.
Antes de franchisar, faça as contas
Um bom projecto de franchising começa muito antes da procura pelo primeiro franchisado.
É necessário modelar a unidade, calcular o investimento, estimar a rentabilidade, definir o direito de entrada, estruturar os royalties e perceber o potencial territorial da marca.
Só depois faz sentido construir a estratégia de expansão. Porque franchisar não é vender lojas.
É criar um modelo económico em que o franchisador consegue crescer, o franchisado consegue ganhar dinheiro e a rede consegue tornar-se progressivamente mais valiosa.
É essa análise que permite perceber se uma marca tem apenas um bom negócio, ou se tem potencial para construir um grande negócio através do franchising.
Na We Franchising, ajudamos marcas a fazer precisamente esta análise: avaliar o potencial de expansão, estruturar o modelo económico, definir a proposta para o franchisado e preparar a estratégia necessária para transformar um negócio numa rede de franchising.
A questão não é apenas saber se pode franchisar a sua marca. É perceber quanto pode valer a sua marca quando começar a crescer através de uma rede.






